AÍ VÉN O MAIO

Barcelona. Maio. Programa das Letras galegas.
Unha asociación anuncia que virá un escritor dar unha conferencia.
É o mesmo escritor de todos os anos.
O eterno retorno.
A eterna repetición.
O eterno bocexo.

CURTINHAS

precisamos
aprender a não sobreviver

...

quando eu sou mais livre? pergunto
– se é que isso se pode medir –
quando eu não dependo de ninguém ou
quando ninguém depende de mim?

....

nem toda transa é transe
nem toda trama é drama
nem todo beijo é relance
nem todo corpo é cama

...

o universo gargalha escancarado, mas a gramática é tímida

Pedro Chiappini

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Penso nas suecas e suas tetas,
Penso em Silvia Saint e sua buceta incrivelmente bem desenhada – mesmo com
tantos e tão grandes caralhos que a freqüentam.
Penso que há bucetas esculpidas por mãos de anjos.
Penso se a mulher merece um dia,
ou melhor, se toda mulher do mundo merece um dia.
Tanta mulher ruim, tanta mulher nojenta, tanta mulher vampira querendo seu sangue pra troféu.
No restaurante onde almoço eles dão flores para cada fêmea da espécie,
Na televisão, grandes empresas internacionais mostram comercias de exaltação à mulher,
Na agência de telemarketing, cada uma ganhou um cartão e uma pequena barra de chocolate.
Todos os cartões diziam: VOCÊ É ÚNICA.
Penso nas mulheres que tive e nas que quis ter.
Uma ou duas que sobrevivem. Três se eu for generoso com os meus critérios.
Mas eu não sou generoso.
Eu sou chato, eu sou exigente e mesquinho. Não sou, definitivamente, o cara divertido que elas gostam.
Nem bonito eu sou. Sou gordo, sou suarento, sou possessivo e dado à ataques de loucura.
Bebo demais, fumo demais e desejo demais as coisas impossíveis.
Lembro que esse dia existe porque mulheres foram torradas dentro de uma fábrica
–queriam seus direitos, reclamavam por justiça e foram incendiadas por um patrão que deveria ser gordo e suarento como eu sou.
Mas eu jamais poria fogo em mulheres

e também jamais criaria uma data pra todas elas.
Todas elas não me interessam e nunca me interessaram.
Talvez um dia eu compre uma rosa, um chocolate e um cartão.
Talvez eu escreva VOCÊ É ÚNICA com meu próprio punho.
Talvez isso até ocorra num dia 8 de Março. Talvez não.
Talvez, nesse dia, eu tenha descoberto a minha melhor companhia
ou talvez, quem sabe, eu tenha virado um empresário
e aberto uma fábrica de tecidos
em alguma cidade pobre da América do Sul.


FMAATZ
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(Mais textos do autor em: http://www.meudoceumbigosujo.blogspot.com/)

POR TI


Por ti
que te queimas
na soedade
digo todo o que calo.
Por ti
que baixas cando terías
que subir
río todo o que choro.
Por ti
que te encerras
no teu cárcere
de frialdade
soño todo o que ignoro.
Por ti
que vives a tua morte
con indiferencia
escribo todo o que borro.


María Xosé Viña Queixo